O dólar à vista encerrou a terça-feira (15) com alta de 0,14%, cotado a R$ 5,1551, em linha com a valorização da moeda nos mercados internacionais. O movimento ocorreu em um cenário de instabilidade no Supremo Tribunal Federal (STF) e alta nos preços do petróleo, na véspera de decisões sobre juros nos Estados Unidos e no Brasil.
O barril de petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 110, o que amplia os riscos inflacionários globais. O cenário pressiona a moeda norte-americana, que subiu 0,58% nos dois primeiros pregões da semana, embora acumule queda de 0,48% em setembro. No ano, a moeda apresenta perda de 6,08%.
No plano doméstico, investidores acompanharam atritos entre ministros do STF em sessão que avalia a abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes. O decano da Corte, Gilmar Mendes, acusou o ministro André Mendonça de ter motivações políticas ao retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal. Mendonça rebateu a fala, classificando a postura de Gilmar como leviana.
O Banco Central realizou nesta terça-feira uma operação de “casadão”, com venda de US$ 1 bilhão em moeda à vista e compra de US$ 1 bilhão em dólar futuro. A medida visa reduzir a pressão no cupom cambial, embora gestores de recursos indiquem que a operação admite a existência de problemas no câmbio à vista.
O Ibovespa fechou a sessão em alta de 0,54%, aos 186.502,64 pontos. O resultado foi puxado pela disparada do petróleo no exterior, que favoreceu as ações da Petrobras, apesar do tom defensivo adotado pelo mercado ao longo da tarde. O índice acumula ganho de 5,12% no mês.
A expectativa para a quarta-feira é de alta de 0,25 ponto porcentual nos juros pelo Federal Reserve (Fed) e novo corte de 0,25 ponto na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, Mauricio Une, projeta que o dólar termine o ano a R$ 5,35 devido ao menor diferencial de juros e ao quadro fiscal doméstico.

