O dólar subiu 0,57%, atingindo R$ 5,152, nesta segunda-feira (14), impulsionado pelo avanço do petróleo e pela cautela de investidores com o cenário político brasileiro. No mesmo período, a Bolsa recuou 0,83%, para 185.652 pontos, apesar da valorização de papéis de empresas de petróleo.
A instabilidade nos mercados foi provocada por ataques de drones a um oleoduto na Arábia Saudita, que resultaram na suspensão temporária de operações. O grupo houthi, do Iêmen, confirmou o lançamento de dezenas de mísseis balísticos e drones contra alvos militares no sul do país, além de ter assumido o controle da cidade de Mocha, ponto estratégico para o escoamento de petróleo pelo estreito de Bab el-Mandeb.
O petróleo Brent, referência mundial, avançou 4,90%, chegando a US$ 109,74. Segundo Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercados da StoneX, a expectativa é de redução nos volumes de exportação saudita via marítima a partir da próxima semana. A tensão levou os Estados do Golfo a adiar uma reunião diplomática com o Irã sobre a gestão do estreito de Hormuz.
Para Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, a alta da commodity alimenta temores inflacionários. O Boletim Focus prevê que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2026 em 4,90%, valor acima do teto da meta de 4,5%. O cenário pode influenciar a decisão do Federal Reserve (Fed) de elevar os juros dos EUA para a faixa de 3,75% a 4%.
No Brasil, investidores monitoram a disputa eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Enquanto o Datafolha, divulgado na sexta-feira (11), apontava Lula à frente, a pesquisa Quaest, publicada nesta segunda-feira, indicou Flávio Bolsonaro com 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 40% do presidente.
O mercado também reage ao desgaste no Supremo Tribunal Federal (STF). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal indicam que o ministro Alexandre de Moraes teria atuado em favor de um ex-banqueiro do Banco Master. O episódio resultou em trocas de relatorias de inquéritos decididas pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e pelo ministro André Mendonça.


