O dólar avançava 0,21%, cotado a R$ 5,190, nesta quinta-feira (24), enquanto o Ibovespa recuava 0,63%, aos 184.634,36 pontos. O movimento reflete a alta do petróleo, a pressão nos juros americanos e a expectativa por dados econômicos nos Estados Unidos e no Brasil.
O petróleo Brent subiu 3,97%, atingindo US$ 107, após trocas de ameaças entre Estados Unidos e Irã na Assembleia Geral da ONU. A instabilidade gera preocupação sobre um possível bloqueio no estreito de Hormuz, rota por onde passavam 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.
Nos Estados Unidos, o rendimento do título do Tesouro de dez anos chegou a 5,158%, o maior patamar desde 2007. O título de 30 anos atingiu 5,449%, nível não visto desde 2004. Segundo Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, o Federal Reserve endureceu o tom, e o mercado já precifica três altas de juros nos próximos meses.
A ferramenta FedWatch indica que 66,4% dos analistas projetam alta de juros na próxima reunião do banco central americano. Em Wall Street, o Dow Jones recuava 0,74% e o Nasdaq caía 0,78%. Fernando Saad Benati, estrategista da Avenue, explicou que o movimento segue a tendência de alta global dos juros de longo prazo, observada também na Europa e no Japão.
No cenário interno, o Banco Central atualizou a projeção de crescimento do PIB para 2026, que caiu de 2,0% para 1,8%. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, declarou preocupação com a oferta de crédito predatório, caracterizado por taxas altas e falta de análise de capacidade de pagamento, defendendo medidas de transparência.
O mercado monitora ainda o encontro entre o presidente Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping, que deve tratar de trégua econômica e inteligência artificial. No Brasil, a agenda inclui a divulgação de nova pesquisa Datafolha sobre intenções de voto para presidente e governos estaduais a partir das 18h45.
A economia brasileira pode ser afetada por planos dos Estados Unidos de restringir exportações de diesel para proteger seu mercado interno. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, sendo que 80% desse volume é originário dos americanos.

