Um medicamento experimental da Eli Lilly, o retatrutide, levou a uma perda de peso significativa em pessoas com sobrepeso ou obesidade, incluindo aquelas com diabetes tipo 2, segundo dois estudos publicados nesta terça-feira (29). Em um deles, pacientes que tomaram a dose mais alta perderam 18,8% do peso inicial.
Um estudo, publicado no Lancet e apresentado na reunião da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, testou o retatrutide em pessoas com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2, população em que medicamentos para perda de peso historicamente foram menos eficazes. Quem tomou a dose mais alta perdeu cerca de 18,8% do peso inicial, enquanto o grupo placebo perdeu 5,1%.
Cerca de um terço dos participantes que tomaram a dose mais alta perdeu ao menos 25% do peso corporal, contra 3% no grupo placebo, ao longo de 1,5 ano de estudo. “Este é o medicamento mais potente, mostrando o maior percentual de perda de peso em pessoas com diabetes tipo 2 com um agente farmacológico, já demonstrado até hoje”, disse o Dr. Juan Pablo Frias, diretor médico do Instituto de Pesquisa Metabólica de Los Angeles e um dos autores do estudo do Lancet.
Os participantes também mostraram melhora no controle do diabetes. Entre os que tomaram a dose mais alta, 63% reduziram a A1C para menos de 6,5% — o limiar para diabetes — e perderam ao menos 10% do peso corporal.
Em outro estudo, publicado no New England Journal of Medicine, pesquisadores relataram benefícios semelhantes em pessoas com sobrepeso ou obesidade sem diabetes. Nesse caso, quem tomou a dose mais alta perdeu cerca de 25% do peso inicial, enquanto 3,9% do grupo placebo atingiu o mesmo resultado. Também foram observados benefícios em participantes com osteoartrite no joelho, que relataram menos dor, e com apneia obstrutiva do sono, que tiveram menos episódios de apneia.
O retatrutide age em três hormônios relacionados ao peso: GLP-1, GIP e glucagon. Como cada um tem receptores específicos no corpo e no cérebro, atingir os três pode contribuir para efeitos mais potentes do que medicamentos que miram apenas GLP-1, como Ozempic e Wegovy (semaglutida), ou GLP-1 e GIP juntos, como Mounjaro e Zepbound (tirzepatida).
Os efeitos colaterais relatados nos dois estudos foram semelhantes aos de outros medicamentos GLP-1, incluindo problemas gastrointestinais como cólicas abdominais, náusea, vômito e diarreia. A Eli Lilly planeja submeter um pedido à FDA, agência reguladora dos EUA, no início de 2027 para aprovar o retatrutide com base nesses resultados.


