Um drone russo movido a jato atingiu nesta segunda-feira (28) a Academia Nacional de Ciências, em Kiev, incendiando os dois últimos andares do prédio e obrigando funcionários a sair pelas janelas. Pelo menos uma pessoa morreu e seis ficaram feridas. O ataque ocorreu pouco antes das 13h30, no horário local, durante o intervalo do almoço.
Enquanto os bombeiros trabalhavam para controlar as chamas, funcionários da instituição, responsável por quase todas as grandes descobertas científicas da Ucrânia, precisaram descer por escadas para chegar a um local seguro. Os feridos receberam atendimento na calçada em frente ao edifício, um marco arquitetônico amarelo, rosa e branco projetado na década de 1850 para ser um internato para meninas.
Vira Yevhrafova, de 65 anos, vice-chefe de pesquisa da academia, relatou que seu escritório ficava no segundo andar. “Meu escritório desapareceu. Ficava no segundo andar. Tudo desabou, tudo”, disse.
A Rússia vem bombardeando Kiev ininterruptamente há semanas com novos drones movidos a jato, que têm se mostrado difíceis de derrubar com os atuais sistemas de defesa aérea da Ucrânia. A vida cotidiana na capital agora é pontuada pelo som seco e repetitivo dos disparos das armas antiaéreas, seguido pelo impacto de um drone contra algum alvo — um centro de dados, uma rua qualquer, um posto de gasolina, um depósito ou um edifício de vários andares.
O ataque à academia foi apenas o começo de um dia movimentado para as equipes de resgate. Menos de duas horas depois, outro drone atingiu uma clínica a cerca de 1,6 quilômetro ao sul. Uma hora mais tarde, outro drone foi interceptado no momento em que atingia um edifício próximo.
A filha da mulher que morreu foi até o prédio e caiu no choro. Ucranianos lamentaram a cena de pesquisadores deixando às pressas seus escritórios em chamas. “Que guerra idiota”, escreveu nas redes sociais Andriy Kovalenko, tenente do Exército ucraniano e ex-integrante do governo, junto a uma foto de duas pessoas saindo pelas janelas.
Vira Balanovska, de 43 anos, que passou diante da academia em chamas com a filha de 9 anos, afirmou: “Acho que o que eles querem agora é nos assustar e fazer nossa vida parar. Não se trata apenas de atacar depósitos para que não tenhamos comida. Eles também querem nos intimidar, fazer com que não consigamos trabalhar, estudar, fazer pesquisa científica ou, na verdade, fazer qualquer coisa”.

