O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, representa um perigo maior ao Brasil do que o presidente Donald Trump. Segundo o ministro, o risco reside no compromisso de Rubio com a família Bolsonaro, o que resultaria em uma instrumentalização da política externa americana.
Durigan declarou que Trump mantém uma “boa relação” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de divergências envolvendo a Rússia, a China e o Oriente Médio. O ministro informou que Lula solicitou ao presidente americano a não interferência nas eleições brasileiras, recebendo a palavra de Trump de que isso não ocorreria.
A fala ocorre durante negociações sobre a aplicação de tarifas americanas a produtos brasileiros. Sobre o cenário interno, o titular da Fazenda criticou o volume de recursos destinados ao Congresso, afirmando que o gasto de R$ 50 bilhões com emendas parlamentares gera um desarranjo fiscal casado ao desarranjo institucional do País.
O ministro questionou se o mercado acredita que a família Bolsonaro possa garantir o equilíbrio institucional e as condições fiscais e sociais para o futuro. Para Durigan, essa aposta não faz sentido.
Sobre as metas de resultado primário, o ministro disse que não considera possível gerar um superávit imediato de 2%. Ele propôs um avanço gradual, com 0,6% no próximo ano e cerca de 1% nos anos seguintes, para recuperar a credibilidade e o grau de investimento sem comprometer a legitimidade social.
Durigan defendeu a gestão atual e a de seu antecessor, Fernando Haddad, negando a existência de uma sanha arrecadatória. Ele explicou que a retomada do patamar de receita, que volta a superar a despesa, permite ao País ter condições de realizar superávit e comprar reserva internacional.


