O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, adiou a análise do processo que avaliaria alegações de Alexandre de Moraes sobre a conduta do ministro André Mendonça na relatoria dos casos Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O julgamento estava previsto para o dia 23 de setembro, mas não tem nova data.
A medida é vista nos bastidores da Corte como uma tentativa de sinalizar ao grupo alinhado a Alexandre de Moraes e organizar o tribunal diante de uma crise interna. O adiamento era considerado lógico, pois a conduta de Mendonça não poderia ser julgada sem a resolução prévia da situação envolvendo Moraes.
A instabilidade inviabilizou as atividades do tribunal, resultando no cancelamento da sessão ordinária prevista para a tarde desta quinta-feira (17). Fachin iniciou conversas com os demais ministros para tentar superar o impasse. Na semana anterior, o presidente também cancelou uma sessão e retirou a relatoria do inquérito das fake news de Alexandre de Moraes.
Fontes indicam que a crise tende a se aprofundar, com troca de ofensas entre ministros por meio de redes sociais, notas de gabinete e levantamentos de sigilo. O analista Teo Cury afirmou que não há sinalizações de que a tensão vá diminuir, citando a fala de um ministro que disse que a tendência é que a situação piore.
A articulação de Fachin para resolver o conflito internamente encontra resistência e tem pouca adesão entre os colegas. A estratégia seria postergar decisões delicadas para depois das eleições municipais, embora haja dúvidas sobre a existência de um ambiente político favorável para as votações nesse período.

