O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, participou nesta segunda-feira (7) do desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Fachin foi o único integrante da Corte presente na tribuna de honra ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o tribunal enfrenta crise institucional.
A instabilidade no STF começou em 1º de setembro, após o ministro André Mendonça determinar a retirada do sigilo de uma ação sobre investigação do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O processo revelou mensagens em que o banqueiro questiona o ministro Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de deixar o país antes de uma eventual prisão, em novembro de 2025.
Nos registros, Vorcaro pede que Moraes intercedesse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O objetivo seria sensibilizar as autoridades para adiar uma ação da corporação. O conteúdo integral das respostas de Moraes às mensagens não pôde ser reconstruído.
Antes do início da cerimônia, Fachin conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com o ministro da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias. Mendonça deve entregar o relatório sobre o caso Vorcaro-Moraes entre hoje e amanhã, tendo solicitado sessão do plenário para analisar se Moraes deve ser investigado.
O desfile, iniciado às 9h, teve como temas a soberania nacional, o combate ao feminicídio e a Copa do Mundo Feminina de 2027. A programação incluiu apresentações de alunos de escolas públicas, tropas a pé e motorizadas das Forças Armadas, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, encerrando com a Esquadrilha da Fumaça.
A organização do evento custou R$ 5,74 milhões aos cofres públicos, valor 33,2% superior ao gasto de 2025. A cerimônia foi descrita como comedida em razão do período eleitoral, visando evitar questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


