O fenômeno El Niño atingiu todos os critérios para a classificação de “super”, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (14) pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). O Oceano Pacífico registra aquecimento superior a 2ºC, atingindo requisitos de medição dos índices RONI e ONI, o que caracteriza o evento como muito forte a intenso.
A precocidade dos índices é o ponto central da observação. Um dos indicadores já media 2ºC na semana de 8 de julho, enquanto em episódios fortes anteriores, como em 1982-83, essa marca só ocorreu em 24 de novembro. Projeções indicam que o Pacífico pode alcançar 4ºC até o fim de 2026, valor sem precedentes históricos. O fenômeno deve prevalecer durante 2027, embora a tendência seja parar de se fortalecer.
No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuvas acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, além de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste tendem a registrar chuvas abaixo da média, resultando em seca. Áreas do Centro-Oeste e Sudeste, como Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, também têm probabilidade de precipitação inferior ao normal.
Meteorologistas da MetSul afirmam que o evento atual é um dos mais fortes da modernidade. No entanto, especialistas explicam que o status de “super” não se traduz necessariamente em desastres ou eventos extremos, pois a intensidade e o local dos impactos dependem da atmosfera e de outros padrões climáticos.
A comparação com o episódio de 2023-2024 indica que o El Niño de 2026 tem apresentado menos chuva no Sul do que o ciclo anterior. Em São Paulo, o ano de 2026 registrou chuvas excessivas em vez de ondas de calor, reforçando que o aquecimento do Pacífico não reflete obrigatoriamente a repetição de desastres regionais.

