O estado do Pará deve enfrentar um período mais seco e quente nos próximos meses devido ao fenômeno El Niño, com redução de chuvas estimada entre 30% e 50% abaixo da média. A previsão indica impactos maiores nas regiões norte, oeste e na Região Metropolitana de Belém, onde as temperaturas máximas podem atingir 36°C.
O meteorologista José Raimundo Abreu, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), informou que a diminuição das precipitações não será uniforme. As áreas com maior redução incluem a Região Metropolitana de Belém, o norte e o oeste paraense. Municípios como Paragominas, Capitão Poço, a Ilha do Marajó e as cidades litorâneas de Bragança, Salinópolis e Marudá podem registrar queda de aproximadamente 35% no volume de chuvas.
Apesar da tendência de seca, Abreu explicou que Belém ainda deve ter pancadas de chuva à tarde devido a efeitos convectivos causados pelo aquecimento das águas dos oceanos Atlântico e Pacífico. O especialista contestou a classificação de “Super El Niño” divulgada pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e pela Organização Meteorológica Mundial, afirmando que o fenômeno provavelmente não terá a intensidade prevista pelos modelos internacionais.
A estiagem deve afetar os níveis dos rios Xingu e Tapajós, além de provocar baixa no rio Tocantins. Segundo o meteorologista, a situação prejudica comunidades ribeirinhas, podendo reduzir o nível de poços artesianos. No Marajó, a seca de rios e lagos pode levar à morte de gado, impactando a pecuária local.
No sul do Pará, cidades como Marabá, São Félix do Xingu e Redenção também sentirão a redução das chuvas, embora o impacto seja menor. O período seco deve ser prolongado, mas a expectativa de chuvas graduais a partir de setembro pode diminuir o risco de incêndios florestais na região. Para os produtores rurais, o plantio deve permanecer limitado, tornando-se favorável no sul do estado apenas no final de novembro.

