Grandes empresas globais de transporte marítimo estão retomando a navegação pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez nesta quarta-feira (16). A decisão ocorre para reduzir a dependência da rota pelo Cabo da Boa Esperança, apesar do avanço de militantes Houthis sobre portos e ilhas estratégicas no Iêmen.
A A.P. Moller-Maersk informou, no dia 14 de setembro, que quatro rotas da parceria Gemini Cooperation, com a Hapag-Lloyd AG, voltarão ao canal. O serviço AE5 deve ser retomado em 21 de setembro com o navio Marchen Maersk, de 19 mil TEUs de capacidade. Com isso, a aliança soma seis rotas restauradas na região em dois meses.
A China Cosco Shipping e a Orient Overseas também iniciaram a restauração gradual de cinco rotas entre Ásia, Europa e Mediterrâneo a partir de 15 de setembro. O navio Xin Hui Zhou, da Cosco, atravessou o Estreito de Bab el-Mandeb no dia 14, a primeira passagem da empresa pelo local em mais de dois anos. Uma nova viagem está programada para 7 de outubro com escala em Jidá, na Arábia Saudita.
A mudança é motivada por fatores econômicos. Segundo a consultoria Sea-Intelligence, o aumento dos custos de combustível e a congestão portuária tornaram o desvio pelo Cabo da Boa Esperança inviável. A DHL informou, no dia 11 de setembro, que a rota por Suez reduz o tempo de trânsito em cerca de duas semanas e diminui o consumo de combustível em aproximadamente 30%.
O retorno ocorre enquanto forças Houthis intensificam ofensivas no Iêmen. Entre 10 e 11 de setembro, o grupo capturou a cidade portuária de Mokha, as Ilhas Hanish, o porto de Dhubab e a Ilha de Perim. A última localidade fica a 24 quilômetros do Djibuti, no trecho mais estreito do Estreito de Bab el-Mandeb.
Dados da Linerlytica indicam que a capacidade global de navios desviada pelo Cabo da Boa Esperança caiu para 4,6% em 14 de setembro, o menor nível em dois anos. Cerca de 19% dos serviços na rota Ásia-Europa, no sentido oeste, já voltaram a usar Suez. A MSC e a Gemini Cooperation afirmaram que as operações futuras dependerão da estabilidade no Oriente Médio.
O CEO da Maersk, Vincent Clerc, afirmou que as condições para uma retomada total no Mar Vermelho estariam atendidas para 2026. No entanto, a empresa Xeneta apontou que, em agosto, a capacidade de transporte pelo Estreito de Bab el-Mandeb representava apenas 23% dos níveis registrados antes da crise.

