Empresas começam a usar sistemas de inteligência artificial (IA) que não apenas respondem a comandos, mas detectam tarefas, coordenam etapas e executam ações sem supervisão direta. O movimento ocorre enquanto os próprios criadores da tecnologia alertam para riscos. Levantamento da consultoria PwC indica que 73% das organizações citam falta de capacitação como principal obstáculo para ampliar o uso.
A nova geração de ferramentas de IA opera com autonomia crescente. Em vez de aguardar instruções específicas, os chamados agentes de IA identificam o que precisa ser feito, organizam os passos seguintes e concluem a tarefa. A promessa é reduzir intervenção humana em processos repetitivos, mas a adoção em larga escala ainda enfrenta barreiras.
A PwC listou cinco frentes que precisam ser superadas para sair de projetos piloto e chegar ao uso ampliado. A primeira é a revisão de processos completos, com dados de qualidade, permissões adequadas e acesso seguro ao conhecimento corporativo. Sem isso, projetos isolados não ganham escala.
Em governança, a consultoria aponta a necessidade de definir responsabilidades, garantir rastreabilidade e auditoria, além de proteger os sistemas contra vazamentos de dados, ataques e falhas. A supervisão humana, especialmente em setores regulados, adiciona complexidade à operação.
O levantamento mostra que 73% das organizações consideram a capacitação em supervisão e orquestração de agentes de IA um dos principais entraves. A falta de profissionais especializados também dificulta o avanço. Outro dado relevante: 65% dos trabalhadores não se sentem confortáveis em deixar decisões a cargo da IA.
No campo financeiro, 56% dos CEOs ainda não enxergam benefício claro das aplicações de IA, o que pressiona as empresas a medir o impacto real dos agentes nos negócios. A combinação de desconfiança interna e retorno incerto mantém o ritmo de expansão abaixo do potencial.


