A esclerose múltipla (EM), doença autoimune e inflamatória, manifesta os primeiros sintomas antes dos 18 anos em 3% a 5% dos casos, segundo a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI). Especialistas afirmam que o diagnóstico precoce e protocolos modernos permitem controlar a evolução da patologia e evitar sequelas graves.
A doença é caracterizada por cicatrizes no sistema nervoso que prejudicam a transmissão de impulsos elétricos dos neurônios. O quadro provoca tontura, falta de equilíbrio, visão embaçada e dificuldade de raciocínio. Manuela Fragomeni, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da SBNI, explica que a associação comum entre a palavra ‘esclerose’ e o envelhecimento gera a falsa percepção de que a EM atinge apenas idosos.
Embora ocorra principalmente em mulheres entre 20 e 30 anos, a incidência pediátrica é relevante. Renata Paolilo, responsável pelo serviço de neuroimunologia pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP, afirma que os critérios diagnósticos foram atualizados recentemente para serem aplicados também em jovens, combatendo estigmas baseados em dados antigos de quando não havia acesso a tratamentos precoces.
Um menino de 12 anos, paciente do HC, relatou que a doença começou com formigamento nos pés e um quadro gripal. Após exames inconclusivos e a manifestação de tremores nas mãos, ele foi internado por inflamação na medula. O diagnóstico definitivo ocorreu um mês depois, via punção de líquor que indicou a presença de bandas oligoclonais.
A família do paciente precisou de uma liminar na Justiça para obter o medicamento Ocrevus, após recusa do convênio. A mãe, uma administradora de empresas de 53 anos, relatou a dificuldade de aceitação da doença em uma criança saudável. A previsão médica é que a medicação assegure a estabilidade e evite novos surtos.
Para a detecção da EM, as ressonâncias magnéticas são os exames mais comuns, mas dependem de avaliação clínica. Harley De Nicola, superintendente médico da Fidi, afirma que é necessário entender a localização e o comportamento das alterações no organismo. Os sintomas variam entre os indivíduos, incluindo fadiga, perda de força e alterações cognitivas.


