Escolas do Rio de Janeiro incluíram a saúde mental na rotina dos alunos com atividades que vão da leitura sobre sentimentos a dinâmicas de acolhimento. As ações ganharam destaque durante o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, e seguem ao longo do ano letivo em colégios públicos e privados.
Na Start Anglo Bilingual School, no Recreio, a estratégia envolve livros, atividades de convivência e um sistema de identificação emocional. Os alunos frequentam a biblioteca diariamente e, neste mês, analisam obras que abordam sentimentos e relações. Em uma turma do 2º ano do ensino fundamental, a leitura de um livro sobre abraços inspirou uma campanha de “abraços grátis”, com estudantes oferecendo o gesto a pessoas da comunidade escolar.
A diretora Kassula Correa explica que o sistema de identificação emocional funciona como um semáforo, em que a criança ou adolescente sinaliza como se sente naquele dia. “É algo muito pessoal e discreto; ela se sinaliza ali e apenas o adulto da sala consegue ver como está emocionalmente naquele momento”, afirma. A partir dessas informações, a escola acompanha e gera dados sobre o estado emocional dos alunos.
Na Rio International School (RIS), as ações do Setembro Amarelo foram construídas com participação direta dos estudantes, a partir do Conselho de Liderança Estudantil. Giovanna Tocci, aluna do 3º ano do ensino médio e líder do conselho, ajudou a organizar dinâmicas como sorteios de abraços e o “Kindness wall”, um mural de post-its com mensagens positivas. “Tenho ansiedade, então entendo mais ou menos como é a sensação de não saber falar o que se está sentindo”, diz.
No Colégio Estadual Carlos Lacerda, na Taquara, as ações fazem parte do projeto “Todos somos iguais com as nossas diferenças”. Alunos do 1º ano compartilham anonimamente problemas e aconselham uns aos outros. A escola também conta com uma psicóloga voluntária e a diretora Cristiane Dias realiza exercícios de respiração com as turmas em situações de ansiedade.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o suicídio é a terceira principal causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos nas Américas, com alta de 38% na região entre 2000 e 2021. A psicóloga Luanda Rosa afirma que falar sobre prevenção de forma responsável não incentiva o suicídio e que não existe um sinal isolado capaz de prever uma crise. Ela lembra que o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188.


