Analistas de mercado e especialistas em tecnologia avaliam que a onda de vendas em ações de inteligência artificial registrada nesta segunda-feira (14) representa uma correção saudável de preços. O movimento ocorre após alertas de líderes do setor sobre a evolução dos modelos e a necessidade de regulação, reacendendo debates em Wall Street sobre a valorização excessiva das companhias.
A análise do Goldman Sachs indica que comentários de Dario Amodei, da Anthropic, endossados por Sam Altman e Elon Musk, pressionaram as empresas do setor. O temor é que preocupações com a segurança e o alinhamento dos sistemas resultem em regulações mais rígidas, reduzindo os múltiplos de valorização das companhias. O banco afirma, porém, que o mercado pode estar exagerando na interpretação negativa.
Segundo o Goldman Sachs, gigantes como Microsoft e Meta dificilmente interromperão os investimentos, sendo provável a adoção de maior supervisão no desenvolvimento dos modelos. Jensen Huang, CEO da Nvidia, reiterou projeções de investimentos globais em infraestrutura de IA entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões até 2030.
Celso Camilo, professor da Universidade Federal de Goiás e doutor em IA, afirmou que o cenário não representa um colapso. Para o especialista, a tecnologia está no início de uma nova era de escala e acelera a transição para uma economia digital. Camilo disse que mensagens alarmistas ganham visibilidade porque o medo atrai atenção, o que pode atrasar a adoção da ferramenta e a requalificação profissional.
Flavio Terni, cofundador da Revert, explicou que o mercado precificou a IA como uma trajetória linear e perfeita nos últimos anos. Segundo Terni, a queda atual não anula a tese da inteligência artificial, mas remove o prêmio associado a expectativas excessivamente otimistas.
Gabriel Pinheiro, sócio da GT Capital, disse que a queda é um processo de retorno aos fundamentos, já que os preços subiram mais rápido que os resultados. O investidor agora questiona a capacidade das empresas de converter os altos investimentos em lucro e geração de caixa.
A demanda segue acima da oferta em segmentos de energia elétrica, terrenos e data centers. Fabricantes de semicondutores mantêm carteiras de pedidos robustas, enquanto o crescimento do volume de dados sustenta as perspectivas para o mercado de memória e armazenamento, segundo a apuração do Goldman Sachs.

