Pesquisa Datafolha publicada em 18 de setembro mostra que 34% da população associa o escândalo do Banco Master à esquerda, embora a maioria dos políticos citados no caso seja do centrão e da direita. Analistas políticos apontam fatores como o histórico de corrupção do PT e a proximidade do governo Lula com o ministro Alexandre de Moraes.
O cientista político Jorge Chaloub, professor da UFRJ, afirma que a fragmentação das notícias contribui para a percepção. “Num caso de corrupção mais intrincado como o Master, boa parte dos leitores lê manchetes, fragmentos, ou recebe um recorte da notícia por rede social”, disse.
Celso Rocha de Barros, colunista e doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, diz que as denúncias apareceram em conta-gotas ao longo do ano. “Talvez tenha sido difícil para o público formar um quadro geral na cabeça.” Para ele, a imprensa poderia ter sido mais clara ao mostrar a predominância de políticos de direita nas relações de Daniel Vorcaro.
“O PT, quando teve o petrolão, foi corretamente massacrado. Isso não vai acontecer dessa vez”, afirmou. “Teve um petrolão de direita e ninguém ficou sabendo.”
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro é formalmente investigado no inquérito do Supremo que envolve o filme “Dark Horse”, que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Vorcaro. Ele nega irregularidades. No centrão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de operação da Polícia Federal sob suspeita de receber mesada do Master. No campo da esquerda, a PF chegou a Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo de operação; ele nega.
O cientista político Fernando Schüler, professor do Insper, diz que as revelações que envolvem o PT da Bahia explicam parte da associação. “Só isso aí já dá para a esquerda um latifúndio nesse negócio todo”, afirmou. “Acho difícil fazer uma ‘tabelinha’ de esquerda e direita, dá uma maçaroca de gente envolvida.”
O Datafolha mostra que 27% dos brasileiros acreditam que a maioria dos envolvidos é de direita, e 10%, de centro. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 58% apontam a esquerda como majoritária; entre os de Lula, 48% citam a direita.
Marcus André Melo, professor da UFPE, afirma que a proximidade do governo com Moraes, que mantinha conversas suspeitas com Vorcaro e editou contrato de R$ 130 milhões do escritório da mulher, contribui para a associação. “O outro, Alexandre de Moraes, simbolicamente é o algoz dos Bolsonaros. É natural que seja associado ao governo.”

