Características do baço identificadas em exames de imagem podem estar associadas ao risco de desenvolver a doença arterial coronariana (DAC), segundo estudo liderado por pesquisadores da Harvard Medical School e do Mass General Brigham. Os resultados, publicados na revista Science Translational Medicine, indicam relação entre o órgão e a formação de placas nas artérias do coração.
A pesquisa analisou dados de 42.059 participantes do UK Biobank com o auxílio de inteligência artificial para examinar imagens abdominais. Dos 107 parâmetros avaliados, dez apresentaram associação com a doença. Análises genéticas ligaram as características do baço a genes envolvidos em inflamação, hipertensão, funcionamento de células musculares lisas e formação de gordura.
Duas variantes genéticas no cromossomo 9, na região 9p21, relacionaram-se a uma textura irregular do baço e a maiores chances de DAC. Segundo a apuração, a associação permaneceu mesmo após a consideração de fatores de risco tradicionais, como os níveis de colesterol e a pressão arterial.
Zhi Yu, professor-assistente de medicina da Harvard Medical School e pesquisador do Mass General Brigham, afirmou que as evidências ligam o sistema hematopoiético às doenças cardíacas. O baço atua como centro desse sistema ao armazenar e filtrar o sangue, além de produzir células imunes e inflamatórias.
Para testar a validade clínica, os pesquisadores analisaram 2.745 pessoas do Mass General Brigham Biobank. A maioria das associações do primeiro grupo não foi reproduzida, o que os autores atribuem a diferenças entre as populações: o UK Biobank possui participantes mais saudáveis e protocolos de imagem mais uniformes que os de hospitais.
Os autores ressaltam que os achados não significam que exames do órgão possam prever individualmente o risco da doença. Meghana Kamineni, médica do Mass General Brigham e primeira autora do estudo, disse que as descobertas oferecem possíveis alvos para intervenções terapêuticas em um eixo ainda pouco explorado.


