Um estudo para a implantação da Linha 3 do Metrô, que conectaria Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, foi apresentado nesta terça-feira (15) na Câmara dos Vereadores do Rio. O projeto, desenvolvido pela Coppe/UFRJ por meio do Prisma-RJ, prevê um traçado de 50 quilômetros com 29 estações.
A proposta indica que a nova linha poderia reduzir o tempo de algumas viagens em até 85%. Um exemplo citado pelos pesquisadores é o trajeto entre Icaraí e o Aeroporto Santos Dumont, que passaria de 75 minutos, via carro, para 11 minutos nos trilhos. Entre o Centro de São Gonçalo e a UFF Gragoatá, a previsão é que o tempo caia de 50 para 33 minutos.
O coordenador do estudo, professor Rômulo Orrico, explicou que a metodologia atualizou a proposta da Linha 3 com base em dados recentes de mobilidade, economia e segurança pública. O novo desenho analisou 12 planos anteriores e incorporou variáveis territoriais para evitar a repetição de traçados. A modelagem incluiu a simulação de impactos de áreas com histórico de conflitos armados para definir percursos menos expostos a instabilidades.
Segundo a apuração da Coppe/UFRJ, o novo traçado ampliaria a população atendida no entorno das estações de 92 mil para 182 mil pessoas, um aumento de 98%. A cobertura de matrículas escolares também subiria de 23 mil para 48 mil, enquanto a quantidade de empregos acessíveis praticamente dobraria.
O levantamento utilizou o rastreamento de 19 milhões de sinais de telefonia celular, identificando que o eixo entre Niterói e São Gonçalo registra cerca de 340 mil viagens diárias. Nos horários de pico, o volume de passageiros e veículos chega a 2,5 milhões de deslocamentos, número 68% maior do que o registrado em 2016.
O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, afirmou que a Prefeitura do Rio acompanha os desdobramentos e contribuirá para viabilizar a obra. O projeto prevê agora a etapa de concepção definitiva, com estimativas de demanda e receita, seguida pela modelagem da licitação e elaboração de edital.

