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EUA ameaçam cortar verbas da OEA por indicação de relator

Carla Fernandes
Última atualização: 2 de setembro de 2026 15:22
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O governo de Donald Trump iniciou uma ofensiva diplomática contra a Organização dos Estados Americanos (OEA) para impor a nomeação de um aliado conservador como relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), sob ameaça de corte no financiamento da entidade, segundo apuração da imprensa.

A Casa Branca busca estabelecer um canal oficial de pressão contra a regulação de redes sociais no hemisfério, com foco no Brasil. A disputa ocorre na fase final de seleção do cargo, onde uma comissão independente selecionou dez finalistas entre mais de cem inscritos. O candidato apoiado pelo Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, ficou fora da lista, que também não incluiu representantes brasileiros.

Diante da exclusão, a diplomacia norte-americana solicitou oficialmente aos Estados-membros da OEA a inclusão de um debate sobre os critérios de escolha dos relatores. A tentativa de alterar o regulamento durante o processo seletivo foi interpretada como ingerência na autonomia da CIDH e rejeitada por maioria no plenário do órgão.

A reação ao movimento dos EUA foi liderada pelo Brasil, com apoio do México e de outros países da região. Diplomatas sul-americanos argumentaram que o rito de escolha é sólido e vigora há 19 anos, defendendo que mudanças nas regras só ocorram após a conclusão da disputa atual.

Após a derrota na votação, a delegação dos EUA passou a sinalizar o congelamento de repasses financeiros. A Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão depende de aportes diretos de Washington para manter seu orçamento operacional.

O nome defendido pelo governo Trump é o do advogado Julio Pohl, assessor da Alliance Defending Freedom (ADF). Pohl tem histórico de interlocução com aliados de Jair Bolsonaro e criticou a atuação do Judiciário brasileiro contra a desinformação, afirmando em 2025 que seria válido comparar o Brasil a um regime ditatorial.

Pohl é genro do deputado Chris Smith, membro do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA. Smith já utilizou a estrutura parlamentar para atacar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após a suspensão da rede social X no país em 2024, alegando que o Brasil persegue a oposição política.

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