Os Estados Unidos e a China detalharam um plano para reduzir as tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em importações de cada país, um passo para cumprir um dos principais resultados da cúpula da semana passada entre Donald Trump e Xi Jinping. A medida abrange brinquedos, utensílios de cozinha, produtos agrícolas, carvão e equipamentos médicos, entre outros itens.
A maior parte dos produtos abrangidos ficará livre das tarifas adicionais impostas durante anos de tensões comerciais. Cerca de 90% passariam a receber tratamento de nação mais favorecida (NMF), informou o Ministério do Comércio da China em comunicado divulgado nesta segunda-feira (28). As reduções entrarão em vigor assim que os dois lados concluírem os procedimentos exigidos por suas legislações nacionais.
“Esse acordo ajudará a estabilizar ainda mais as relações econômicas e comerciais entre China e EUA e criará condições favoráveis para as exportações chinesas dos produtos relevantes para os Estados Unidos”, afirmou o ministério. O valor representa uma fração dos US$ 415 bilhões em bens comercializados entre as duas maiores economias do mundo no ano passado.
Para os consumidores americanos, tarifas mais baixas sobre brinquedos, artigos de decoração para as festas de fim de ano e outros produtos podem ajudar a conter os preços antes da temporada de compras. Para a China, a redução pode dar suporte às exportações em um momento em que a fraca demanda doméstica e o excesso de capacidade industrial têm levado fabricantes a buscar mais vendas no exterior.
A proposta dos EUA abrange 77 categorias de produtos, incluindo fogos de artifício, artigos para o lar e equipamentos esportivos. A lista da China é mais ampla, com 1.619 itens, entre eles carne, frutos do mar, laticínios, grãos, carvão, madeira e equipamentos médicos, segundo documentos publicados pelos dois governos. A meta de US$ 30 bilhões é baseada no comércio de 2024.
Os produtos chineses abrangidos pelo plano dos EUA representaram US$ 32,3 bilhões em importações naquele ano, antes de cair para US$ 23,2 bilhões em 2025. Os produtos americanos abrangidos pelo plano da China caíram de US$ 29,7 bilhões para US$ 19,3 bilhões no mesmo período. A soja está notavelmente ausente da proposta, embora Pequim tenha se comprometido separadamente a comprar 25 milhões de toneladas por ano até 2028.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que as recomendações melhorariam o acesso de produtos agrícolas e dispositivos médicos americanos ao mercado chinês, reduzindo barreiras para produtos domésticos e brinquedos chineses. O carvão importado dos EUA será incluído no acordo, dando suporte às compras chinesas em 2027 e 2028. Um novo Grupo de Trabalho Agrícola será criado entre os dois países, com primeira reunião prevista até o fim de 2026.

