Uma operação conjunta entre forças militares da Colômbia e a agência antidrogas dos EUA (DEA) capturou na terça-feira (29) um dos chefes do cartel Clã do Golfo, conhecido como “Cachaco”, em zona rural de Antióquia. A ação ilustra a expansão do combate ao narcotráfico na América Latina e no Caribe, com uso de drones e tropas americanas.
O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA está implantando drones de alta tecnologia para mapear redes de contrabando e enviando tropas para auxiliar em ataques terrestres, segundo reportagem do jornal The Wall Street Journal publicada nesta quarta-feira (30).
Nos últimos meses, Colômbia, Paraguai e Jamaica assinaram acordos que ampliam a capacidade das forças dos EUA de operar, treinar e se deslocar temporariamente para seus países. O Equador tentou oferecer uma base ao exército americano, mas eleitores locais rejeitaram a proposta.
O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul, afirmou que ataques terrestres são uma opção. “Vejo ataques terrestres como opções? Sim. Queremos todas as opções à mesa”, disse. Ele citou ações como prisões, derrubada de casas seguras e aumento de scanners em postos de fronteira, com objetivo de criar “atrito sistêmico total” nos cartéis.
Na semana passada, cerca de 50 soldados e agentes dos EUA se juntaram à polícia do Equador em operações contra uma rede de tráfico de cocaína ligada a um cartel mexicano. Foi a primeira vez que tropas americanas participaram diretamente de operações policiais no país, apoiadas por drones e equipamentos de interferência.
Neste ano, o exército dos EUA ajudou o Equador a bombardear um campo suspeito de tráfico, trabalhou com a Venezuela em ataque que matou o líder da gangue Tren de Aragua e forneceu apoio de inteligência para operações na Colômbia. Na segunda-feira, forças colombianas capturaram um suposto líder de gangue após rastreamento com ajuda de autoridades americanas e drones com sensores infravermelhos.
O Pentágono considera transferir drones MQ-9 Reaper da África para a América Central e do Sul, segundo autoridades americanas. Os aparelhos captam comunicações eletrônicas, detectam assinaturas térmicas e realizam ataques de precisão. No último ano, foram usados em ataques a barcos de drogas.
Autoridades de vários comandos combatentes dos EUA se reuniram em Washington na semana passada para discutir um esforço global contra cartéis. A administração Trump designou mais de 20 grupos como organizações terroristas estrangeiras e cultiva aliança militar pela região.

