O governo dos Estados Unidos finaliza um plano para proibir a exportação de diesel por 90 dias, com o objetivo de reduzir os custos de energia antes das eleições de meio de mandato em novembro. A medida gera alerta no Brasil, que depende de importações para suprir a limitação de sua capacidade de refino.
A exposição brasileira ao risco é alta, já que os Estados Unidos responderam por mais de 70% das importações de diesel do país em agosto. Segundo estimativas do JPMorgan, cerca de 25% do consumo total de diesel e 10% da gasolina no Brasil são abastecidos por produtos importados.
O Bradesco BBI avalia que a proibição seria negativa para o Brasil, especialmente por coincidir com a temporada de plantio de soja. O banco indica que o país provavelmente priorizaria a alocação de diesel para a logística agrícola e exportações de safras, o que poderia reduzir a oferta para outros setores da economia.
Para conter a alta dos preços, o governo brasileiro ampliou subsídios e reduções tributárias. As medidas adotadas em setembro têm custo estimado de R$ 7 bilhões por mês. O gasto acumulado com o pacote desde março pode chegar a R$ 40 bilhões até o fim do mês, o equivalente a 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
O Morgan Stanley considera improvável uma proibição total, pois isso elevaria significativamente os preços da gasolina nos Estados Unidos e do diesel em outras regiões. No entanto, a instituição avalia como possível a implementação de restrições parciais ou temporárias.
No mercado interno, o impacto seria maior para as distribuidoras de combustíveis do que para a Petrobras em termos de volume, segundo o BBI. Uma eventual escassez poderia restringir a disponibilidade do produto, embora preços mais altos possam compensar a queda de volume por meio de margens maiores.


