O ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha uma estrutura paralela de vigilância e coação chamada de “A Turma” para acessar informações sigilosas do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal (PF) e do Banco Central. O esquema, detalhado em relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), custava R$ 1 milhão por mês.
A apuração da PF indica que o grupo era chefiado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, que contratava servidores públicos para obter dados de inquéritos por meio de logins funcionais de terceiros. O relatório, datado de 27 de fevereiro, revela que a rede de espionagem monitorava procedimentos contra o banqueiro e buscas por termos relacionados ao Banco de Brasília (BRB).
Um policial federal aposentado, Marilson Roseno da Silva, é apontado como peça central no acesso ilícito aos sistemas do MPF. Em áudios recuperados, o servidor afirmou que daria “atenção especial” aos pedidos de Vorcaro. A PF identificou que as consultas indevidas partiram da Delegacia da Polícia em Juiz de Fora (MG). Marilson foi preso em março, em Belo Horizonte.
A investigação menciona ainda a tentativa de intrusão em organismos internacionais. Mensagens trocadas entre Mourão e Vorcaro citam a Interpol e o FBI. Embora a Interpol Brasil tenha informado que a identidade visual de telas compartilhadas não condiz com seus sistemas, a organização sugeriu que as buscas podem ter sido feitas via sistemas de outros países com base em dados da Interpol.
Além da espionagem, a “Turma” atuava como milícia privada para realizar atos de violência, coação e intimidação. O objetivo era pressionar e silenciar pessoas por meio da mobilização de indivíduos armados. O relatório detalha que Vorcaro optou por esse caminho ilícito em vez de utilizar meios jurídicos para acessar os autos das investigações.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 por grave crise de liquidez e violações de normas. A operação envolveu perdas de R$ 8,8 bilhões ao BRB. Daniel Vorcaro permanece preso por ordem do STF. Luiz Phillipi Mourão também foi preso, mas morreu após tentativa de suicídio na unidade prisional.

