O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, é alvo de um pedido de prisão temporária de 30 dias em operação deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. A investigação apura a influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital.
A Operação Vectura Corrupta indica que a facção criminosa teria o controle de 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo de São Paulo. A apuração baseou-se em mensagens de celulares, documentos e dados financeiros que apontam vínculos entre os investigados e a organização. O Tribunal de Justiça autorizou prisões, buscas e apreensões.
Leite é citado nominalmente em áudios de julho de 2024 como responsável direto pela operação de algumas empresas. Documentos da investigação mencionam que policiais militares, em procedimento na Justiça Militar, afirmaram que o ex-vereador seria o dono de fato da empresa Transwolff. O material não detalha a participação formal de Leite na sociedade da companhia.
Em diálogos obtidos pela polícia, José Daniel Satilite, apontado como operador do PCC no setor, articulava a substituição da empresa UPBus pela Translíder. A UPBus havia sido retirada das linhas da Zona Leste após ser apontada como braço de lavagem de dinheiro da facção. Nos áudios, Satilite afirma que a operação deveria envolver Milton Leite e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans.
A substituição pela Translíder não ocorreu, e as linhas foram assumidas pela Alfa Rodobus em fevereiro. No entanto, a Polícia Civil afirma que a Alfa também estaria ligada ao crime organizado. A investigação agora aponta indícios de que o PCC planeja ampliar a atuação para a área da saúde e a criação de organizações não governamentais (ONGs).
Por telefone, Milton Leite negou as acusações e afirmou que não é dono da empresa citada. Ele declarou que não conhece os integrantes da facção e que estava viajando no momento do mandado. O ex-presidente da Câmara disse que se apresentará às autoridades em 24 horas.


