Apenas 9% dos executivos de alto escalão avaliam que o modelo de gestão atual de suas empresas é coerente com os desafios previstos para os próximos anos. O dado integra a pesquisa “CEO Survey 2026 – Perspectivas para 2027-2030”, realizada pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil) em parceria com a Empreenda.
O levantamento ouviu 178 profissionais, incluindo CEOs, presidentes e diretores. Os resultados indicam que a transformação necessária envolve tecnologia, inteligência artificial (IA) e novos modelos de gestão. Cerca de 10% dos entrevistados consideram adequado o modelo de negócios atual diante das novas demandas do mercado.
A confiança na capacidade de execução é baixa. Somente 9,6% afirmam contar com profissionais capacitados, em quantidade e qualidade, para implementar as estratégias projetadas entre 2027 e 2030. A escassez de talentos qualificados foi citada por 64% dos líderes como um risco, enquanto 47% apontam a sucessão executiva como preocupação.
A distância entre a intenção e a prática é evidente no uso da IA. Embora 65% das empresas estejam em fase de exploração ou projetos-piloto, apenas 10% incorporaram a tecnologia à estratégia empresarial. Outro estudo, da Alina com 51 empresas, revelou que 86% priorizam a ampliação do uso de IA em 2026, mas somente 29% possuem políticas claras de utilização.
Para Leyla Nascimento, presidente da ABRH Brasil, o capital humano tornou-se um risco estratégico. A falta de competências necessárias deixa de ser um problema setorial de RH para se tornar um obstáculo à execução da estratégia do negócio. César Souza, presidente da Empreenda, afirmou que as empresas precisam repensar a proposta de valor para não ficarem obsoletas.
O cenário sugere que a contratação externa pode não suprir a demanda, já que a disputa pelos mesmos profissionais apenas transferiria talentos entre organizações. A solução passa pela formação interna de competências e a preparação de sucessores capazes de administrar organizações mais tecnológicas e incertas.

