O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, adiou nesta quinta-feira (17) o julgamento sobre a atuação do ministro André Mendonça nas investigações do Banco Master, que ocorreria no dia 23 de setembro. A nova data será definida após o plenário resolver questões sobre a tramitação e a relatoria dos processos.
A decisão foi tomada após a sessão de terça-feira abrir debate sobre a redistribuição dos casos e a possibilidade de análise conjunta dos procedimentos envolvendo Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. Fachin argumentou que esses pontos têm “direta relação” com o processo e precisam de solução prévia pelo plenário.
O impasse começou durante a análise de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Uma questão de ordem sugeriu que os processos sejam redistribuídos conforme as regras internas e que sejam identificados magistrados que tenham recebido valores indevidos, abrindo prazo para manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos citados. O pedido de vista do ministro Flávio Dino interrompeu a análise desse rito.
Paralelamente, a crise interna na Corte teve novo capítulo nesta quinta-feira com trocas de acusações entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Mendes criticou a condução de Mendonça no caso Master, chamando o colega de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Em nota, Mendonça afirmou que divergências são legítimas, mas criticou a tentativa de constranger julgadores e a “verborragia” do colega.
O conflito originou-se de um relatório da Polícia Federal, determinado por Mendonça, que indicou Moraes como interlocutor de Vorcaro. Enquanto a PGR se manifestou contra o prosseguimento da apuração, Moraes questionou a conduta de Mendonça. O presidente Fachin havia retirado a apuração sobre Mendonça do Inquérito das Fake News para abrir um procedimento separado.
Ainda nesta quinta-feira, tornou-se público um ofício de Gilmar Mendes ao presidente da Segunda Turma, Luiz Fux. O documento questiona a convocação de um julgamento para referendar a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, alegando que não houve comunicação antecipada a todos os integrantes do colegiado.

