O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tornou-se o relator do caso que apura a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A decisão, tomada no sábado (12), removeu o ministro André Mendonça da relatoria do processo.
No mesmo despacho, Fachin paralisou processos ligados ao Banco Master e a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), remetendo-os à Presidência do STF. O magistrado também havia suspendido, três dias antes, procedimentos sobre investigações de integrantes da Corte e retirado de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.
O tribunal analisa nesta terça-feira evidências da Polícia Federal (PF) sobre relações suspeitas entre Moraes e Vorcaro. Em sessão extraordinária, os ministros decidirão se abrem uma investigação contra Moraes, o que seria inédito no Supremo. Fachin rejeitou pedido de Moraes para julgar crimes de responsabilidade de Mendonça na mesma sessão, adiando a pauta para 23 de setembro.
A PF reuniu conversas em que Vorcaro solicita a Moraes informações sobre investigações policiais e orientações sobre deixar o Brasil antes de ser detido. Mendonça, que tornou o relatório público e pediu a investigação do colega, confirmou ter se reunido com Vorcaro em março de 2025 para tratar de precatórios.
Moraes retaliou acusando Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crimes de responsabilidade. O ministro alega que Mendonça teria favorecido grupos políticos nos casos de fraudes no INSS e no Banco Master. O STF julga crimes comuns internamente, enquanto infrações político-administrativas são apuradas no Senado Federal.
Fachin determinou que a PF envie, em 24 horas, informações sobre a custódia do material extraído do celular de Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes solicitaram cópia integral da mídia. Mendonça afirmou que a cópia em seu gabinete é de segurança e está lacrada, enquanto o original permanece com a PF.
O presidente do tribunal também derrubou o sigilo envolvendo o Banco Master na sexta-feira, pressionando Mendonça a liberar documentos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também requisitou acesso ao conteúdo do aparelho celular.

