O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, avalia retirar do ministro André Mendonça a relatoria das investigações dos casos Master e INSS para assumi-las. A medida busca conter a crise instalada na Corte após disputas públicas entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.
Fachin reuniu auxiliares no domingo (6) para articular como dirigir o conflito. A discussão ocorreu antes de Mendonça determinar, nesta terça-feira (8), o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF). A decisão chegou a formar maioria na Segunda Turma, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.
O presidente do tribunal já retirou do inquérito das fake news o pedido de Moraes para investigar Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Interlocutores de Fachin afirmam que a intenção é controlar os ânimos dos dois polos da crise e reduzir o poder de ataques entre os grupos em disputa.
Em conversa com o presidente Lula, Fachin sinalizou que pretende dar andamento às acusações entre os ministros e levar os casos ao plenário. No Palácio do Planalto, ele afirmou que a resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa, defendendo a adoção de um código de ética e o fim do inquérito das fake news, aberto em 2019.
O embate se intensificou após Moraes determinar apuração baseada em relatório interno da PF, classificado pelo próprio documento como sem valor probatório. A medida ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de relatório que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na noite de quinta-feira (3), Fachin determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF prestem informações em cinco dias sobre o relatório que envolveu as autoridades. O presidente do STF questiona as circunstâncias da identificação de contatos de Vorcaro e o cumprimento das regras de investigação.
A crise teve início com a divulgação de mensagens de Vorcaro, preso em 17 de novembro de 2025, enviadas a Moraes. Nos textos, o ex-dono do Master pergunta ao ministro se deveria deixar o país antes da prisão e agenda encontros em sua residência.

