O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, estabeleceu prazo de 24 horas, nesta sexta-feira (11), para que o ministro André Mendonça amplie o acesso a documentos sigilosos do caso Master. A medida atende a pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de outros integrantes da Corte.
A decisão determina que Mendonça encaminhe à Presidência do Supremo e aos demais gabinetes os procedimentos da Petição 15.556 e da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. Fachin ordenou a retirada do sigilo desse conjunto de arquivos, exceto para informações de diligências em andamento que possam comprometer o resultado das investigações.
A PGR, por meio do vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho e do procurador-geral Paulo Gonet, manifestou preocupação com a quantidade de material que permaneceu protegido após uma primeira abertura parcial. O órgão argumentou que a divulgação incompleta poderia gerar uma percepção distorcida sobre a transparência do processo.
Outros ministros também solicitaram a ampliação do acesso. Alexandre de Moraes apontou que 180 arquivos digitais e documentos foram omitidos, o que impediria a avaliação completa das apurações. Cristiano Zanin solicitou acesso a uma mídia específica para analisar requerimentos da PGR que serão levados ao plenário.
As movimentações ocorrem antes da sessão de terça-feira (15), quando o STF analisará petições sobre as investigações. Na quinta-feira (10), Mendonça já havia liberado parte dos autos envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas manteve sob sigilo frentes específicas.
Entre os materiais que permaneceram protegidos estão as apurações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, incluindo conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Outro procedimento mantido em sigilo envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA).


