O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, concedeu três dias para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU). O governo tenta restabelecer Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF), após decisão de Mendonça determinar seu afastamento preventivo nesta terça-feira (8).
A AGU sustenta que o afastamento do diretor-geral afronta as prerrogativas da Presidência da República para nomear e demitir livremente o chefe da corporação. No pedido de suspensão de liminar, o órgão argumenta que a interrupção abrupta da gestão pode causar desorganização institucional e gerar inquietação.
Antes da formalização do recurso, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima, reuniram-se com Fachin. Messias afirmou que o relatório de inteligência com supostos desvios de Mendonça foi entregue ao presidente da Corte na última quinta-feira (3). Fachin já havia dado prazo para que a PF esclarecesse o teor do documento.
A decisão de Mendonça baseou-se em indícios de que a PF produziu relatórios paralelos sobre sua atuação no caso Banco Master, prática que o ministro classificou como “arapongagem institucional”. Mendonça afirmou que Alexandre de Moraes tinha conhecimento prévio desses relatórios, posteriormente usados para incluí-lo no inquérito das fake news.
A Segunda Turma do STF já formou maioria para manter o afastamento, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto a análise não é retomada, a medida preventiva continua em vigor.
Em reação, os 11 diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição do diretor-executivo e interino, William Marcel Murad. A cúpula da corporação classificou as acusações como ataques injustificados, enquanto Murad afirmou que a PF não se deixará abalar por tais ofensivas.

