O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, estabeleceu prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU). O órgão quer suspender o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
A AGU protocolou o pedido nesta terça-feira (8), sustentando que a medida provoca grave lesão à ordem pública e administrativa. Segundo o órgão, o afastamento viola a prerrogativa do presidente da República de nomear e exonerar dirigentes da corporação, podendo causar desorganização institucional e comprometer o funcionamento da PF.
A Advocacia-Geral da União argumentou que os fatos sobre a produção de relatórios de inteligência já estavam sob a condução de Fachin desde 3 de setembro, na Petição 16.704. Para a AGU, a decisão posterior de Mendonça antecipou cautelares sobre um tema que a Presidência da Corte já analisava.
O conflito interno no STF se intensificou após Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de documentos sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material contém registros de mensagens e encontros envolvendo o banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.
Na última quinta-feira (3), Moraes determinou que relatórios da PF sobre possíveis irregularidades na atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero fossem enviados a Fachin. O episódio gerou questionamentos sobre a circulação de documentos de inteligência da corporação.
Mendonça afastou os diretores da PF após pedidos do partido Novo, citando a gravidade na produção dos relatórios divulgados por Moraes. O ministro afirmou que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvos da Inteligência da PF. Ele também suspendeu a produção de relatórios destinados à análise de atos de funções constitucionais.

