O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, definirá se o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, será submetido ao plenário da Corte ou se a apuração será arquivada.
A decisão ocorre após o ministro André Mendonça determinar a retirada do sigilo do documento. O relatório da Polícia Federal, baseado em material apreendido no celular de Vorcaro, indica a existência de pelo menos seis encontros entre o ex-banqueiro e Moraes, além de trocas de mensagens via WhatsApp.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contrária ao prosseguimento da investigação. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a nulidade e o arquivamento do relatório, sob a justificativa de que houve tentativa de buscar elementos para indicar eventual envolvimento de Moraes em ilícitos.
Mesmo com o pedido da PGR, Mendonça encaminhou os autos para sessão plenária, fundamentando que o Regimento Interno do STF estabelece que cabe ao plenário processar e julgar os próprios ministros. O material analisado pela PF também cita Paulo Gonet como interlocutor de Vorcaro, incluindo uma mensagem de março de 2025 na qual o ex-banqueiro diz ter “saudade dele”.
Os investigadores recuperaram imagens e arquivos temporários do iPhone de Vorcaro, que utilizava mensagens de visualização única. Entre os registros, constam cinco mensagens enviadas a Moraes em 17 de novembro de 2025, véspera da prisão do ex-banqueiro, em que ele pede ajuda diante de possíveis ações da PF e pergunta se deveria deixar o país.
A PF não recuperou respostas de Moraes, pois apenas o aparelho de Vorcaro foi apreendido. Caso Fachin decida pelo prosseguimento, a análise dos ministros não implica culpa imediata, mas discutirá o encaminhamento dos elementos reunidos e a possibilidade de continuidade da investigação.

