Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pressionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, durante o fim de semana, para adiar o julgamento sobre indícios de relação suspeita entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Fachin manteve a sessão agendada para esta terça-feira (15).
A disputa interna envolveu a tentativa de ministros próximos a Moraes de obter acesso aos dados do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero. O ministro André Mendonça havia recusado pedidos de acesso feitos por Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
No sábado (12), Fachin estabeleceu prazo de 24 horas para que a Polícia Federal (PF) apresentasse informações sobre o aparelho. A PF informou no domingo (13) que possui condições técnicas de encaminhar cópias idênticas dos dados extraídos aos gabinetes. Mendonça reagiu à medida, alegando que a ação tenta tumultuar o julgamento e coloca em risco as investigações.
O ministro Cristiano Zanin determinou que a PF entregasse a mídia do celular ao seu gabinete até as 23h de domingo. Em ofício, Zanin argumentou que não existe hierarquia entre os magistrados e que as provas pertencem ao plenário, e não a um integrante específico. Ele afirmou que precisa do material para formar sua convicção antes da sessão extraordinária.
A pressão pelo adiamento partiu tanto de aliados de Moraes quanto de ministros que votariam pela abertura de investigação contra o colega. Parte da Corte avalia que o caso pode inflamar o ambiente político do País às vésperas da eleição presidencial. Uma alternativa sugerida seria realizar o julgamento a partir de novembro.
Diante da manutenção da data, ministros próximos a Moraes planejam solicitar pedido de vista logo no início da sessão. No entanto, integrantes do grupo de Mendonça podem antecipar votos, o que deve gerar discussões ásperas entre as alas opostas. A defesa de Vorcaro solicitou que Fachin filtre o conteúdo do celular para evitar exposição indevida do banqueiro.


