O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marcou para a próxima terça-feira (15) uma sessão plenária para analisar relatório que aponta o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, além de avaliar pedido de nulidade do documento feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A decisão de Fachin ocorre após dez dias de tensões crescentes na Corte, marcadas por decisões conflitantes e disputas entre ministros. O conflito intensificou-se no dia 1º, quando o ministro André Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal (PF). O texto indica que Vorcaro e Moraes se encontraram ao menos seis vezes desde 2024 e que o magistrado teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Em resposta, Moraes solicitou a abertura de investigação contra Mendonça por crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade, alegando que o colega agiu por motivos políticos e pessoais. Fachin retirou o pedido do inquérito das fake news e o integrou ao processo do relatório sobre as mensagens, concedendo prazo para a PGR e para a defesa de Mendonça se manifestarem.
A crise se estendeu à gestão da PF. Na terça-feira (8), Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, sob a justificativa de que eles produziram o relatório usado por Moraes contra ele. A decisão teve apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, mas foi suspensa na quarta-feira (9) pelo ministro Flávio Dino, que reintegrou os servidores ao cargo.
Na quinta-feira (10), uma operação autorizada por Dino cumpriu 49 mandados de busca e apreensão para investigar desvios de emendas parlamentares destinadas ao filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro. A medida ocorreu após a assinatura de autorização no dia 3.
Nesta sexta-feira (11), Mendonça tornou públicos 38 documentos relativos às fraudes de Vorcaro e ao financiamento do filme, após solicitação de Fachin para a retirada de sigilos. As apurações envolvem nomes como Flávio Bolsonaro, o ex-governador do Rio Cláudio Castro e os senadores Jaques Wagner e Ciro Nogueira. Diante do cenário, o presidente do STF defendeu a criação de um código de ética para os ministros e o encerramento do inquérito das fake news.


