O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, estabeleceu um prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça preste esclarecimentos sobre o afastamento da cúpula da Polícia Federal. A medida ocorre após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender a decisão que retirou do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Mendonça determinou a abertura de apurações disciplinares e criminais na Corregedoria da PF para investigar a elaboração de relatórios sobre autoridades. O ministro vetou a produção de documentos de inteligência que analisem a atuação de magistrados, agentes de polícia judiciária e integrantes da advocacia pública.
A decisão baseou-se no envio de ao menos seis relatórios sigilosos, produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026, ao ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News. O imbróglio teve início quando Mendonça tornou público material policial sobre mensagens entre Daniel Vorcaro e Moraes.
Os documentos citam um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. A apuração menciona a emissão de cartões com limite de R$ 300 mil para filhos do ministro, embora a banca de advocacia afirme que os cartões nunca foram usados.
Em resposta, Moraes enviou a Fachin relatórios com indícios de irregularidades de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, notificando a Procuradoria-Geral da República. Mendonça, por sua vez, solicitou ao presidente do STF o afastamento de Moraes nos desdobramentos do caso Master.
A medida de afastamento da cúpula policial sofreu resistência interna. Onze delegados manifestaram apoio a Rodrigues, enquanto a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) defendeu que a ordem seja analisada pelo plenário do tribunal.


