O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sinalizou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pretende levar ao plenário da Corte os desdobramentos da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Fachin avalia que as acusações recentes devem ser analisadas pelo conjunto dos magistrados, em vez de decisões individuais.
O presidente do STF demonstrou incômodo com a condução do embate entre os dois ministros. Em discurso nesta sexta-feira (4), Fachin afirmou que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que a resposta a fatos graves será firme. Ele declarou que a gravidade dos fatos tornados públicos nesta semana não autoriza atalhos.
A crise envolve relações do banqueiro Daniel Vorcaro com ministros da Corte e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O plano de Fachin é aguardar as manifestações de Moraes e Mendonça sobre os episódios, submeter a discussão aos demais integrantes do tribunal e, por fim, levar o debate ao plenário. Há a expectativa de que ambos sejam chamados a se declarar impedidos de votar nos julgamentos.
O conflito escalou na terça-feira (1), quando Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra proximidade entre Moraes e Vorcaro. Documentos registram conversas em que o dono do Master pergunta se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025.
Em resposta, Moraes pediu na quinta-feira (3) a inclusão de André Mendonça no inquérito das fake news. O ministro acusa o colega de usurpar a direção de investigações do Ministério Público, de direcionar apurações contra ele e de conduzir irregularmente tratativas de delação premiada. O pedido foi negado por Edson Fachin.
Um relatório da PF divulgado por Moraes na quinta-feira (3) informou que a Advocacia-Geral da União (AGU) foi acionada para recorrer de decisões de perfil atípico. O documento aponta que o advogado-geral Jorge Messias teria se negado a agir no caso para preservar a relação política com Mendonça.

