A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, de 2,3% para 2,0%, nesta terça-feira (25). A revisão ocorre após o órgão classificar a alta do petróleo Brent como um choque persistente de oferta, elevando a cotação média do barril para US$ 87,70.
A mudança no diagnóstico reflete a percepção de que a normalização do fluxo de embarcações e a recomposição de estoques globais levarão mais tempo que o previsto. Segundo a SPE, esse cenário pressiona as taxas de juros de longo prazo e amplia o prêmio de risco global. A secretária de Política Econômica, Débora Freire Cardoso, afirmou que a situação ainda não atingiu um patamar disruptivo ou catastrófico, negando que se trate de um novo normal.
O impacto da desaceleração foi sentido nos setores sensíveis ao crédito. A estimativa de crescimento para serviços caiu de 2,4% para 1,8%, enquanto a indústria recuou de 2,1% para 1,7%. Em contrapartida, a agropecuária teve a projeção elevada de 1,8% para 2,8%, impulsionada pelo abate na pecuária e pelas safras do segundo e terceiro trimestres.
No campo da inflação, a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 caiu de 5,1% para 4,9%, devido a preços menores de alimentos e ao efeito da taxa Selic. Já para 2027, a estimativa foi revisada para cima, de 3,6% para 3,8%, com riscos ligados ao fenômeno El Niño e aos custos de fretes e fertilizantes.
O governo informou que o reajuste do Bolsa Família, anunciado em 4 de setembro, não consta nos números do boletim. O impacto estimado de R$ 22,7 bilhões para 2027 será acomodado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) via realocação de despesas. Freire Cardoso explicou que a medida foi possível devido ao crescimento menor de gastos obrigatórios, especialmente na Previdência Social.
O subsecretário de Política Fiscal, Rodrigo Toneto, informou que o PLOA 2027 prevê um superávit primário de 0,56% do PIB. Para 2026, a estimativa é de um superávit de R$ 10,77 bilhões, após as deduções legais, apesar de um déficit primário acumulado de R$ 81 bilhões até julho.

