O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa básica de juros para a faixa de 3,75% a 4% nesta quarta-feira (16). A alta de 0,25 ponto percentual foi decidida de forma unânime pelos doze diretores da instituição e representa o primeiro aumento nos juros americanos desde julho de 2023.
O comitê informou, em comunicado, que a medida visa acelerar o retorno da inflação à meta de 2%. A decisão ocorre enquanto o Índice de Preços para o Consumidor (PCE), indicador principal de inflação do país, registra 3,4% acumulados em doze meses, dado apurado em agosto. O índice permanece acima do objetivo desde abril de 2021.
A movimentação acompanhou as expectativas do mercado. Segundo a plataforma FedWatch, 93% dos contratos negociados previam o aumento. A tendência ganhou força após discurso de Kevin Warsh, presidente do Fed desde maio, durante o Simpósio de Jackson Hole, em agosto, quando afirmou que a inflação subjacente precisa caminhar em velocidade suficiente para atingir o objetivo.
O Fed segue a linha de outras autoridades monetárias que apertaram os juros devido ao conflito com o Irã. O Banco Central Europeu realizou o segundo aumento da taxa na semana passada, enquanto o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão devem divulgar suas decisões entre quinta e sexta-feira.
Ulrike Hoffmann-Burchardi, chefe global de ações de gestão de fortunas do UBS, afirmou que a postura combativa à inflação pode elevar os rendimentos de títulos de curto prazo. Segundo o executivo, empresas de crescimento com múltiplos elevados podem enfrentar dificuldades.
No Brasil, o Bank of America projeta que o dólar ganhe força e que ativos de risco, como as ações, enfrentem instabilidade. A alta dos juros nos EUA torna os títulos do Tesouro americano mais atraentes, o que drena capital de outros países e encarece a moeda norte-americana.
A medida reduz o diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil, especialmente com a expectativa de queda da Taxa Selic para 13,75% ao ano. Esse cenário prejudica o carry trade, operação em que investidores tomam crédito em países de juros baixos para aplicar em mercados com taxas mais elevadas.

