O Federal Reserve elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 p.p. nesta quarta-feira (16). A decisão, aprovada por unanimidade com 12 votos a zero, reflete o esforço da autoridade monetária para assegurar um retorno mais célere à meta de inflação de 2% diante de preços instáveis.
O chairman Kevin Warsh evitou fornecer orientações futuras em seu discurso e na coletiva de imprensa, mas as projeções dos diretores indicam a probabilidade de ao menos mais uma alta ainda em 2026. A mediana da taxa de juros para o fim do ano foi fixada em 4,1%, valor superior ao ponto médio do intervalo de 3,8% aprovado na reunião.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a unanimidade do Comitê sinaliza que não há ala disposta a defender a estabilidade dos juros, dado que o cenário econômico não apresentou melhora. O comunicado tornou-se mais rígido que o de julho, reduzindo o diagnóstico da inflação a uma frase seca afirmando que os preços seguem elevados.
Warsh declarou que a inflação tem sido o problema central há mais de cinco anos e meio. Economistas apontam que a robustez do mercado de trabalho e a economia aquecida obrigaram o Fed a agir para evitar a perda de credibilidade. O cenário é agravado pelo petróleo, que voltou a superar os US$ 100 por barril após tensões no Oriente Médio e ataques ao oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita.
A reação no mercado de renda fixa foi imediata. O rendimento do título de dois anos do Tesouro dos EUA subiu 9 bps, para 4,69%, enquanto o título de 10 anos avançou 5 bps, atingindo 5,00%. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, afirmou que o movimento atesta o ganho de credibilidade da autoridade monetária.
André Valério, economista sênior do Inter, explicou que a manutenção dos juros seria inviável após dados de agosto mostrarem gastos com energia pressionando o índice e um núcleo de inflação mais forte que o esperado. A possibilidade de novos aumentos dependerá agora da dinâmica do preço do petróleo e da estabilidade no estreito de Ormuz.


