A Academia Brasileira de Cinema anunciou, nesta quarta-feira (16), que o filme “Feito pipa”, dirigido por Allan Deberton, será o representante do Brasil na categoria de melhor filme internacional do Oscar 2027. A obra, que aborda a infância queer, foi selecionada entre seis produções finalistas para a disputa na premiação de Hollywood.
O diretor Allan Deberton afirmou em nota que está emocionado com a escolha, lembrando que, na infância, brincava de fazer cinema com uma câmera de papelão no interior onde nasceu. O ator Lázaro Ramos, que integra o elenco, também comemorou a decisão por meio de suas redes sociais.
A trama acompanha Gugu, um menino apaixonado por futebol que vive com a avó Dilma, interpretada por Teca Pereira. O jovem tenta esconder a deterioração da saúde da avó para evitar ter que morar com o pai, personagem de Ramos, descrito como um homem conservador e incapaz de expressar sentimentos.
A obra já acumula prêmios internacionais, como o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional no Festival de Berlim, além de quatro Kikitos no Festival de Cinema de Gramado. Clélia Bessa, presidente da comissão de seleção, disse que a narrativa comunica universalmente e traz forte identidade brasileira ao situar a história em uma cidade do interior do Ceará.
Outro longa, “Vicentina pede desculpas”, de Gabriel Martins, ainda pode entrar na disputa. O filme concorre na mostra Plataforma do Festival Internacional de Cinema de Toronto, cujo resultado sai neste domingo (20). Pelas regras da Academia, vencedores de festivais como Toronto, Cannes e Veneza ficam automaticamente habilitados para a categoria.
O Brasil tenta manter a sequência de participações nas últimas duas edições. Em 2025, “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, venceu a categoria, enquanto “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações em 2026. A cerimônia do Oscar 2027 está marcada para 14 de março. “Feito pipa” chega aos cinemas brasileiros no dia 5 de novembro.

