O Conselho Deliberativo do Flamengo vota, nesta terça-feira (15), uma reforma estatutária para tornar permanente o modelo de gestão profissional. A proposta separa a governança da execução, delegando a operação cotidiana a uma diretoria formada por executivos remunerados e escolhidos por critérios técnicos.
A nova estrutura divide a Diretoria Profissional em dois cargos principais: um diretor-geral, responsável pela gestão corporativa, e um diretor de futebol, encarregado do profissional e das categorias de base. Para supervisionar a operação, será criado o Conselho Gestor (Coge), que analisará metas, riscos e indicadores sem interferir nas atividades diárias.
O texto prevê a implementação de orçamentos anuais e planos estratégicos para três e cinco anos. A reforma obriga a criação de um Portal de Governança e Transparência, amplia regras contra o nepotismo e estabelece períodos de quarentena para associados que ocuparam cargos eletivos antes de assumirem postos na diretoria profissional.
A proposta mantém a natureza jurídica do Flamengo como associação civil, descartando a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O Conselho Deliberativo permanece como a instância máxima para decisões estruturantes e passa a ter a atribuição de aprovar as Políticas de Governança.
O documento foi elaborado pela Comissão Permanente de Estatuto com base em 98 sugestões de associados, divididas em 15 blocos de emendas. Cerca de 75% dessas propostas foram incorporadas ao texto final.
A mudança baseia-se no projeto Profissionalismo, apresentado pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP. O objetivo é evitar que a gestão técnica dependa da vontade de cada presidente, considerando que o clube possui receitas anuais superiores a R$ 2 bilhões.

