O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira (28) que busca representar o legado político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas com uma “outra postura”. A declaração foi dada em entrevista ao SantoFlow Podcast, programa voltado ao público católico.
“Olham para mim enxergando o legado de Jair Bolsonaro com outra postura”, afirmou. Segundo o senador, seu estilo pessoal seria adequado ao atual momento político. “O Flávio é um perfil ideal para o momento que o Brasil está passando, porque eu também não gosto de briga, de fazer campanha com colete à prova de bala”, declarou.
Jair Bolsonaro está fora da disputa presidencial de 2026 após ter sido declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prazo contado a partir das eleições de 2022. A primeira condenação ocorreu em junho de 2023, quando o TSE, por 5 votos a 2, considerou que Bolsonaro cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, em julho de 2022.
Em outubro daquele ano, Bolsonaro foi declarado inelegível pela segunda vez, também por 5 votos a 2, por abuso de poder político e econômico durante as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022, em Brasília e no Rio de Janeiro. Como as penas não foram somadas, permaneceu o prazo de oito anos, contado a partir do pleito de 2022.
Flávio afirmou que não acredita que sua candidatura corra risco de perder a eleição e disse que adversários ainda devem criar “mentiras” contra ele na reta final da campanha. “Não tem perigo de a gente perder a eleição. Vão criar mentiras, mas temos projeto de Deus”, afirmou, enquanto mantinha uma imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frente. “Eu tenho certeza que Deus está me usando para criar um Brasil melhor”, declarou.
A aparição com a imagem de Nossa Senhora ocorre após dias de repercussão de que Flávio pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. Nesta segunda, antes da entrevista, ele também ergueu uma representação de Nossa Senhora Aparecida durante agenda de campanha no Mercado Municipal de São Paulo. Desde a semana passada, Flávio nega que tenha proposto retirar o título e acusa adversários de disseminarem a informação falsa. Nesta segunda, afirmou que o PT tenta “colocar católicos contra evangélicos”.
O candidato também acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter transformado o Supremo Tribunal Federal (STF) em um “comitê eleitoral”. Criticou os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, ambos indicados por Lula, e voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes. “Vou indicar pessoas que são contra o aborto e contra as drogas. Numa canetada, eles proíbem o aborto e as drogas”, afirmou. Nesta segunda-feira, Dino reverteu uma decisão do ministro André Mendonça, do TSE, que havia determinado a retirada de publicações relacionadas à informação sobre Nossa Senhora Aparecida.

