Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem utilizado o embate entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como estratégia central de sua campanha presidencial para desviar a atenção das investigações do caso Master. No entanto, aliados do candidato aconselham a moderação do discurso contra a Corte para evitar a imagem de revanche institucional.
Durante agenda nesta quarta-feira (10) em Juiz de Fora (MG), Flávio acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar vencer a eleição “no tapetão” e de usar a Polícia Federal (PF) para perseguir adversários. O candidato criticou a decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar Andrei Rodrigues ao comando da PF, classificando a medida como contrária à lei e aos precedentes históricos do Supremo.
O candidato também solicitou que o presidente do STF, Edson Fachin, suspendesse a liminar de Dino e convocasse sessão plenária. Fachin, contudo, derrubou as decisões de Dino e Mendonça sobre a chefia da PF, mantendo o diretor-geral no cargo. Aliados de Flávio defendem que ele preserve canais institucionais com o tribunal, especialmente enquanto busca a intervenção de Fachin para resolver o impasse.
Paralelamente, o entorno do candidato monitora a possibilidade de novas revelações no caso Master. O presidente Lula defendeu, nesta quarta-feira, a abertura completa do sigilo das apurações, citando a gravidade do crime financeiro. A campanha de Flávio avalia que a medida pode ser uma estratégia de Lula para cobrar transparência sem se alinhar a nenhum dos lados do conflito interno do STF.
A cautela dos auxiliares baseia-se no histórico do candidato, que inicialmente negou ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro e depois admitiu o contato após a divulgação de mensagens. O caso envolveu a investigação de financiamentos para o filme “Dark Horse”.
Novos elementos surgiram com a homologação de delação premiada do operador Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele confirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter feito sete transferências que somam US$ 12,3 milhões para o fundo Havengate, a pedido de Vorcaro. O fundo era administrado por Paulo Calixto, pessoa próxima de Eduardo Bolsonaro.
A PF e a PGR investigam se esses repasses foram utilizados para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ministro Flávio Dino justificou a volta de Andrei Rodrigues ao comando da PF para preservar a efetividade das diligências relacionadas ao filme e evitar interferências externas que pudessem comprometer o processo.

