O ministro Flávio Dino determinou, nesta quarta-feira (9), a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos de direção-geral e de Inteligência da Polícia Federal (PF). Os delegados haviam sido afastados preventivamente na terça-feira (8) por decisão do ministro André Mendonça, em meio a uma crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) originada por investigações sobre o Banco Master.
O conflito começou com a divulgação de um relatório da PF sobre o celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento registra 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes entre outubro e novembro de 2025, questionando a possibilidade de interferência em investigações. As respostas de Moraes, enviadas como imagens de visualização única, não foram recuperadas, impossibilitando a comprovação de que os pedidos tenham sido atendidos.
A crise se expandiu com a revelação de contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O escritório defende a regularidade dos serviços. Paralelamente, André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo do relatório e encaminhou dados à Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet pediu a anulação do procedimento, alegando que a apuração contra um ministro do Supremo deveria seguir as regras de competência da Corte.
Mendonça também admitiu ter recebido Vorcaro em março de 2025 para tratar de precatórios, embora afirme ter votado contra os interesses do banqueiro posteriormente. Em resposta, Moraes solicitou a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, utilizando relatórios internos da PF para alegar direcionamento de investigações por interesses políticos.
O presidente do STF, Edson Fachin, interveio para retirar o pedido de investigação do inquérito das fake news e encaminhar as controvérsias ao plenário. Fachin solicitou explicações de Moraes, Mendonça, Rodrigues e Gonet para evitar que as decisões continuem sendo tomadas de forma isolada.
A instabilidade repercutiu no setor produtivo. CNI, Fiesp e CNC divulgaram manifesto cobrando a análise pública dos fatos pelo plenário. O cenário ocorre a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial, com reflexos em pesquisas de opinião: 51,6% dos entrevistados em levantamento Meio/Ideia concordam que ministros do Supremo decidem mais por interesse próprio do que pela lei.


