O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou neste domingo (13) o sigilo das investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão inclui a quebra do sigilo fiscal da empresária Karina Ferreira da Gama e a remessa de inquéritos da Polícia Civil de São Paulo ao tribunal.
A apuração em São Paulo investiga um contrato de R$ 157 milhões entre a prefeitura da capital e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina, para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi. Há suspeitas de que a empresária tenha desviado parte desses recursos para a produção do filme por meio da Go Up Entertainment, empresa também de sua propriedade. A gestão municipal não é investigada.
No STF, outro inquérito analisa a transferência de emendas parlamentares para a obra. A Polícia Federal aponta que R$ 2,6 milhões em emendas Pix, destinados em 2024 pelos deputados Mário Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MT), teriam sido triangulados para a produtora. A defesa de Frias nega as suspeitas e afirma que os repasses foram destinados a projetos de inclusão digital.
Dino determinou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo entregue à Polícia Federal todo o material bruto de celulares apreendidos em junho. Documentos revelados mostram que 17 aparelhos eletrônicos foram inicialmente recusados por peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo devido a falhas nos lacres, o que teria permitido a manipulação de dados.
Em entrevista, Karina Ferreira da Gama negou irregularidades e afirmou sentir-se pressionada a fazer uma delação premiada. A empresária relatou ter sido procurada por um advogado e um pastor com ofertas de auxílio caso incriminasse terceiros, mas disse não ter informações para tal, alegando que sua atuação se limitou à produção do filme e a projetos sociais.

