O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, deu versões diferentes sobre sua relação com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, desde que foi divulgado em maio um áudio de setembro de 2025 em que cobra pagamentos do ex-banqueiro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio mais recente envolve uma viagem feita pelo senador e sua família em janeiro de 2025.
Em junho, Flávio afirmou que nunca havia entrado em um avião de Vorcaro. Na última quinta-feira (24), reportagem da revista Piauí mostrou que o candidato viajou dos Estados Unidos para Brasília em aeronave ligada a empresas das quais o ex-banqueiro participava. Flávio confirmou a viagem, mas disse que considerava que o avião pertencia ao advogado Willer Tomaz, amigo dele, que tinha um terço das cotas.
Outro terço pertencia à Prime You, empresa da qual Vorcaro era sócio. A aeronave de prefixo PP-NLR era operada em modelo de propriedade compartilhada. Vorcaro também tinha participação na Fraction 024, proprietária formal do jato.
O contato entre Flávio e Vorcaro começou a ser negado em março, quando o número do senador apareceu na lista de contatos do então banqueiro. “Nunca tive contato. O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, declarou. Em 13 de maio, após a divulgação de mensagens em que cobrava pagamentos, Flávio negou: “É mentira”. Horas depois, reconheceu que conhecia Vorcaro desde dezembro de 2024 e que o procurou para captar recursos para o filme.
Em 14 de maio, o senador afirmou que havia mentido por causa de uma cláusula de confidencialidade. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, disse à GloboNews. No dia seguinte, declarou que não haveria novas informações relevantes sobre a relação. “Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, afirmou à CNN Brasil. Quatro dias depois, confirmou que foi à casa de Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro.
Em 19 de maio, Flávio disse que pediu à produtora do filme prestação de contas em até 30 dias. O prazo terminou sem que ele apresentasse os documentos. Passou a defender que a produtora já havia feito a prestação à Polícia Civil de São Paulo. O documento foi apresentado pela GoUp Entertainment, mas não detalha a origem dos recursos repassados pelo fundo Havengate Development.
Informações extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, divulgadas em setembro, mostraram frequência de contatos maior que a conhecida. A corporação recuperou cerca de três meses de conversas, de 20 de agosto a 16 de novembro de 2025. Os diálogos mencionam seis possíveis encontros. Os registros mostram que Flávio tentou contato telefônico nos quatro dias que antecederam a prisão do banqueiro, em 17 de novembro.
Willer afirmou que o voo foi solicitado e custeado por ele, com uso das horas de sua cota. Disse que Vorcaro não pagou, cedeu ou autorizou a viagem e que só soube da participação do fundador do Master na estrutura da aeronave em abril de 2026. O Poder360 procurou a assessoria de Flávio; não houve resposta até a publicação.

