A Força Espacial dos Estados Unidos admitiu, nesta segunda-feira (14), possuir armas posicionadas no espaço capazes de disputar e controlar a órbita terrestre. O comando do Pentágono afirmou que o arsenal pode ser empregado para fins ofensivos e defensivos, visando afetar as capacidades de adversários, com foco estratégico na Rússia e na China.
Um porta-voz da Força Espacial declarou que as armas de controle espacial servem para defender a Força Conjunta contra ações hostis. Embora o governo não tenha detalhado o arsenal, a apuração indica que as armas podem inutilizar satélites utilizados contra tropas americanas em terra ou contra equipamentos dos próprios EUA.
O secretário da Força Aérea dos EUA afirmou, durante evento no estado de Maryland, que o anúncio é importante sob a ótica da dissuasão. Ele não explicou o motivo da divulgação neste momento, mencionando que diversos fatores influenciam a forma como essas informações são compartilhadas.
A militarização da órbita ocorre apesar do Tratado do Espaço Sideral de 1967, que veta armas de destruição em massa, incluindo nucleares, no espaço. A Rússia foi acusada em 2020 de testar um projétil em órbita capaz de destruir satélites e de realizar voos suspeitos perto de equipamentos europeus, fatos negados por Moscou.
A China também é monitorada após o lançamento, em junho, de uma espaçonave não tripulada com satélite de monitoramento avançado. O general Stephen Whiting, chefe do Comando Espacial dos EUA, defendeu em abril a utilização de interceptadores e armamentos, afirmando que o país deve estar preparado para lutar e vencer em um eventual conflito espacial.
Juliana Suess, especialista em guerra espacial do Royal United Services Institute, afirmou que a fragmentação de um satélite próximo a outro suspeito pode gerar dúvidas se houve acidente ou interferência deliberada. Segundo a especialista, o risco de erro de cálculo entre as potências espaciais tende a aumentar.


