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Frente Parlamentar tenta resolver impasse da dragagem do Tapajós em 2027

Carla Fernandes
Última atualização: 2 de setembro de 2026 15:13
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) afirmou nesta quarta-feira (2) que a Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi) tentará destravar a dragagem do Rio Tapajós em 2027. O procedimento foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após resistência de comunidades indígenas e movimentos sociais da região.

Marinho declarou não haver espaço para a retomada do debate ainda em 2026. Segundo o parlamentar, a discussão deve ocorrer no próximo ano, com o novo governo, para que a pauta avance. O senador associou a oposição ao projeto à atuação de organizações não governamentais que tentariam evitar obras de infraestrutura para o escoamento da produção.

A dragagem consiste na retirada de areia e sedimentos do leito do rio para manter a navegabilidade. Embora o governo tivesse decidido realizar o processo em julho, a medida foi vetada unilateralmente pelo presidente, contrariando pareceres do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do Ibama e da Advocacia-Geral da União (AGU).

Empresas que operam na região alertam que a navegabilidade será prejudicada com a intensificação da seca causada pelo El Niño a partir deste mês. A estimativa é que as atividades no rio sofram interrupções por até quatro meses, o que pode gerar prejuízos de R$ 850 milhões e comprometer o transporte de milhões de toneladas de grãos.

O impasse no Tapajós reflete situações semelhantes nos rios Madeira e Tocantins. Ambos haviam sido incluídos no Programa Nacional de Desestatização (PND) pelo decreto 12.600, mas a decisão foi revogada após protestos de ribeirinhos e povos indígenas da Amazônia.

O Ministério de Portos e Aeroportos informou que trabalha para viabilizar a concessão de hidrovias nos três rios em 2027. A pasta pretende realizar audiências e consultas públicas sobre os projetos no primeiro semestre do ano que vem.

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