Ex-colaboradores da Embaixada da Grécia em Brasília denunciaram a embaixadora Eleni Lianidou por assédio moral e condições degradantes de trabalho. As queixas, formalizadas junto ao Sindicato Nacional dos Servidores de Embaixadas (Sindnações) e encaminhadas ao Itamaraty, incluem relatos de ofensas públicas e a obrigação de manusear produtos tóxicos sem equipamentos de proteção.
Uma mulher que trabalhou na representação diplomática por quase dez anos relatou ter sido obrigada, no dia 10 de março, a limpar o chão da embaixada com soda cáustica. Segundo a funcionária, a diplomata teria espalhado o produto corrosivo e ordenado a limpeza sem fornecer luvas, óculos ou máscaras, contrariando as normas de segurança do Ministério do Trabalho. A trabalhadora afirmou ter sentido falta de ar e queimaduras nas pernas e braços após o serviço.
Outro funcionário relatou que a embaixadora, que assumiu o posto em 16 de janeiro, iniciou a gestão com ofensas e críticas à aparência de assessoras. A apuração indica que Lianidou teria dito publicamente que a cor do cabelo de uma funcionária não era adequada para o ambiente da embaixada.
Durante a organização de um jantar em 15 de maio, em celebração à indicação de um novo embaixador brasileiro para a Grécia, houve novos relatos de abusos. Uma funcionária administrativa, com alergia a frutos do mar, afirmou ter sido obrigada a organizar e servir a sopa do evento, sofrendo uma reação alérgica. Ela relatou que a embaixadora gritava com a equipe na cozinha, exigindo maior rapidez.
Outros colaboradores relataram episódios de constrangimento, como a revista de bolsas por suspeita de furto de uma colher de prata. Uma tradutora greco-brasileira, que prestou serviços pontuais na chegada da diplomata, declarou ter se afastado após trabalhar apenas 12 horas com a embaixadora.
Fontes internas afirmaram que a agenda oficial de representação diplomática foi reduzida para, no máximo, três eventos semanais sob a gestão de Lianidou. Funcionários alegam que a convivência no ambiente de trabalho foi prejudicada e que direitos básicos, como o horário de almoço, passaram a ser restringidos.


