Trabalhadores dos Correios em todo o Brasil iniciaram, nesta sexta-feira (11), uma paralisação por tempo indeterminado. A medida foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10) e confirmada pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), com adesão de sindicatos de todos os estados.
A decisão ocorre após o encerramento de negociações sem acordo. Segundo a Findect, a categoria buscou soluções via mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas a empresa manteve a posição sobre temas considerados fundamentais pelos empregados.
O principal ponto de conflito envolve a proposta da estatal de alterar o custeio do plano de saúde, transferindo a responsabilidade financeira aos trabalhadores. O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos e Similares de Minas Gerais (Sintect-MG) informou que a categoria também contesta o fim da gratificação de férias de 70%, a retirada do tíquete extra de final de ano e o encerramento do pagamento adicional de 200% por trabalho em dias de repouso.
A greve acontece durante crise financeira na estatal, que soma 15 trimestres consecutivos de resultado negativo. No primeiro semestre deste ano, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões. Para mitigar a situação, os Correios preveem captar um empréstimo de R$ 7 bilhões com um consórcio bancário até o dia 15 de setembro.
Em nota, a empresa informou que acionou o Plano de Continuidade de Negócios para minimizar impactos aos clientes por meio de remanejamento de pessoal. A gestão declarou ter proposto reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, além da manutenção de 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente.
Na Paraíba, o sindicato local comunicou que apenas os serviços administrativos internos seguem operando. A extensão dos danos no atendimento presencial e na entrega de correspondências dependerá do nível de adesão dos funcionários nos próximos dias.

